NOSSA SENHORA APARECIDA

Inicialmente é necessário dizer que não se trata de uma aparição como temos em Lourdes, Fátima, mas de uma imagem que se pode ver e tocar, uma imagem que foi quebrada e que talvez por esse motivo jogada no rio Paraíba, segundo um costume antigo quando eram quebradas imagens.

Certamente essa imagem foi feita em São Paulo pelo Frei Agostinho de Jesus que foi discípulo do célebre Frei Agostinho da Piedade. A imagem é da Imaculada Conceição, uma devoção portuguesa muito antiga.

O porto de Itaguaçu (Palavra indígena que significa pedra grande) fica praticamente à beira da estrada São Paulo-Rio, daí porque ali lançaram a imagem, de certo foi trazida por algum cargueiro que fazia o caminho do Rio, o caminho das Minas, passagem do ouro das bandeiras. Por ali transitavam bandeirantes, aventureiros, comerciantes. Era o caminho do Conde de Assumar, governador de Minas.

Em Guaratinguetá, fundada em 1640, sob a graça de Santo Antônio, pousou o governador. Ia para Minas colocar ordem entre os descontentes com os quintos de ouro. Através da Câmara notificou os pescadores "para apresentarem todo o peixe que pudesse haver". Certamente para a viagem e para as refeições.

Aqui entram em cena os três pescadores Filipe Pedroso, Domingos Garcia e João Alves, que na segunda quinzena de outubro de 1717, ao lançarem as redes para pescar, colheram a imagem de Nossa Senhora da Conceição.

A imagem permaneceu com Filipe Pedroso até 1732, que a conservou em casa, em seguida entregou a seu filho Atanásio Pedroso, o qual construiu um oratório onde colocou a imagem que ali permaneceu até 1743. A vizinhança se reunia para rezar o terço e devido a milagres o culto se divulgou com o nome dado pelo povo de Nossa Senhora Aparecida. A 26 de julho de 1745, festa de Sant'Ana, foi inaugurada, no Morro dos Coqueiros a primeira capela. Como esta, com o passar dos tempos não comportasse o número de fiéis que a ela acorriam, iniciou-se em 1842 a construção de um novo templo inaugurado aos 8 de dezembro de 1888.

Durante 177 anos a imagem ficou com o povo, os leigos, capelães, os tesoureiros, as mesas administrativas e com o Governo. Com o advento da República, assumiu o bispo de São Paulo, D. Lino Deodato que em 1893 elevou a igreja à dignidade de "Episcopal Santuário de Nossa Senhora da Conceição". A 8 de setembro de 1904, por decisão do Papa Pio X, a imagem milagrosa foi solenemente coroada, e aos 29 de abril de 1908 foi concedido ao Santuário o título de Basílica Menor.

A proclamação da santa como Padroeira do Brasil foi feita pelo Papa Pio XI aos 16 de julho de 1930, "para promover o bem espiritual dos fiéis e aumentar cada vez mais a devoção à Imaculada Mãe de Deus". Aos 5 de março de 1967 o Papa Paulo VI ofereceu a "Rosa de Ouro" à Basílica de Aparecida. Em 1952 iniciou-se a construção da nova Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida, solenemente dedicada pelo Papa João Paulo II aos 4 de julho de 1980.

(Fontes: Liturgia das Horas Vol. IV, p. 1363 e Revista Boa Notícia, n.º 3, julho de 1996, pp. 43-44).