| Hoje o bairro do Seminário difere em muito do que foi o pacato Caminho do Mato Grosso, nos arrabaldes de Curitiba. Provocando as primeiras habitações e posteriormente uma maior concentração urbana, essa estrada era o único acesso às regiões dos Campos Gerais e ao Norte do Estado. Nos velhos tempos ladeavam a estrada muitos armazéns que serviam de entreposto para viajantes. Para abastecimento encontrava-se de tudo desde alimentação, ferramentas, brinquedos até rodas de carroça. Esse foi o início da ocupação da região que a partir de 1878 conheceu os italianos e posteriormente os poloneses e alemães. Muito próxima do eterno bairro rico de Curitiba, o Batel, a região hoje conhecida como Seminário tem suas características próprias. Recebeu essa denominação com o lançamento da pedra fundamental do Internato Paranaense (hoje Colégio Marista Paranaense), no ano de 1897, em cerimônia que contou com a presença do bispo Dom José de Camargo Barros. Com a inauguração da primeira parte do prédio em 1901, o bairro ganhava sua mais famosa edificação. Hoje a avenida que passa em frente ao estabelecimento leva o nome de Avenida Bispo Dom José. O seminário mesmo, só foi inaugurado em 7 de setembro de 1948, algumas quadras adiante do edifício do Internato. O bairro é estranhamente dividido. Sua agitação e seu centro nervoso estão localizados no início do bairro com restaurantes, lanchonetes, colégios e faculdade. O Seminário continua um bairro residencial de velhos moradores onde ainda existem construções de características européias. O rio Barigüi que faz sua delimitação está hoje poluído e não lembra mais os tempos em que era possível nele nadar ou pescar. A propósito, esse rio deu nome até pouco tempo ao bairro conhecido como Barigüi do Seminário e que hoje é chamado apenas de Seminário. Há que lamentar também o desaparecimento do local conhecido como Mato do Taborda (hoje Jardim Los Angeles). O local outrora era preferido pelos moleques para suas brincadeiras. Para a construção dos palacetes ali existentes grande parte da vegetação nativa foi derrubada. Também não existe mais o bebedouro que dava de beber aos animais dos primeiros tempos, várias empresas que eram orgulho dos moradores (IKA, Fábrica de Compensados Trevisan, etc) e o cine Marajó que nos anos 60 e metade dos 70 promovia o encontro diário das pessoas. Alguns casarões que sobreviveram ao tempo estão se transformando em restaurantes e lanchonetes. Talvez assim a própria história dure mais tempo e os moradores do bairro tenham um local a mais para encontrar os amigos. |